No Partido Progressista de Mucuri, vale mais quem tem mais. Os cifrões valem mais que as ideias. Isso é o que ficou latente na entrevista concedida pelo agora ex pre candidato a prefeito de Mucuri, Jorge Cajazeira, presidente do Conselho de Meio Ambiente da FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), além de ter sido executivo com mais de duas décadas de atuação na Suzano Papel e Celulose e professor universitário.

A entrevista foi concedida ao radialista Alberto Leguelé e nela o executivo externa que, por desejar contribuir de forma diferente ao município de Mucuri, resolveu ingressar na política local para trazer à gestão pública princípios baseados em fatos, indicadores e gerenciamento com visão de longo prazo. Assim, poderia equilibrar essa equação que não se alinha em Mucuri: riqueza x pobreza. Município muito rico e população muito pobre.

Ele explica que inicialmente foi introduzido na política local pelo senador Jaques Wagner e o deputado Walmir Assunção, como pré-candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Porém, necessitava de aliança com o MDB local, do ex prefeito Milton Borges. Isso ficou inviabilizado porque havia a decisão do PT, em esfera nacional, de não composição com o MDB.

Diante dessa situação, ele acabou aceitando convite feito pelo presidente do Partido Progressista, Fernando Jardim e o ex vereador Antônio Washington. Cajazeira conta que, diante diversas pessoas, o vice-prefeito e presidente da legenda deu sua palavra de honra que, filiando-se, ele seria o candidato a prefeito Progressista.

Buscando composições, encontrou alinhamento ideológico com os também pré-candidatos, Beto Borges, Rielma e Koch. Para testar a estratégia adotada pelo grupo e a aceitação das ideias pelo eleitorado foi realizada pesquisa, feita por telefone devido a limitações nesse período de pandemia, por instituto indicado por Fernando Jardim. O resultado apontou a assertiva das propostas: entre os cinco primeiros colocados, quatro eram do grupo. Na liderança aparecia o pré-candidato Paulinho, que deve enfrentar restrições jurídicas, na sequência, Beto, Cajazeira, Rielma e Koch.

Apesar do resultado positivo na pesquisa, o pré-candidato Jorge Cajazeira foi surpreendido com a decisão unilateral do presidente do Partido Progressista, Fernando Santa Marta, que, na escolha do pré-candidato, optou pelo critério financeiro. Foi escolhido como representante da legenda o empresário Marquinhos Gazzineli, pelo fato dele ter mais recursos financeiros e disposição para investir na própria campanha.

Cajazeira lamentou a escolha feita através de um processo obscuro e o fato de o representante local do Partido Progressista em Mucuri não ser uma pessoa que honra a palavra dada. Disse também que, por não concordar com a dinâmica de trabalho do partido na esfera local, não vai apoiar o candidato escolhido por Fernando Jardim. Será mantido o apoio voluntário ao nome que se mostrar mais competitivo entre Beto Borges, Rielma e Koch.

Encerrando, o entrevistado citou viagem feita à Africa onde visitou a prisão onde ficou Nelson Mandela e saiu de lá com importante mensagem de paz: "Enquanto houver injustiça e desigualdades nenhum de nós poderá verdadeiramente descansar".

"Enquanto houver injustiça e desigualdade a este nível que existe hoje em Mucuri, onde 20 milhões estão disponíveis em impostos que nós pagamos e esse dinheiro é desvirtuado no caminho não é possível se calar, não é possível aceitar. Então o poderio financeiro se sobrepor às ideias é um pensamento anti Mandela, um pensamento anti ético. Por isso, eu creio,que essas palavras inspiram. Acho que o povo de Mucuri deve ter uma decisão sábia nessa eleição e votar nos candidatos que busquem essa bandeira: reduzir desigualdades, ser mais justo, e socialmente integrado".


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