Há falta de profissionais no Brasil para diversas atividades. Não foi sem sentido que Cuba ofereceu médicos lá formados para aqui servirem. Evidentemente, as condições estabelecidas pelas autoridades cubanas não eram as ideais para nós. Isso será objeto de próximo comentário.

O incontestável é que, naquela época, já carecíamos de facultativos para atuar em muitas regiões. Hoje, a situação se agravou, sobretudo com a pandemia que impunha mais profissionais e, ainda, pelo vazio deixado por aqueles que perderam a vida no cumprimento do dever, que se exauriram pela sobrecarga de trabalho, pelo avultamento da demanda a níveis imprevistos.

Tem razão, assim, a manchete de jornal “Pandemia escancara a falta de médicos intensivistas no país”, embora companheiros de labor, com outras atribuições assistenciais, também estejam na mesma situação e exigindo providências do poder público.

Milhares de jovens em todo o território querem seguir as vias dos que se diplomaram e serem úteis como Hipócrates, mas não encontram oportunidade. É lastimável que assim seja, principalmente quando o titular do Ministério da Educação considera que o ensino superior é para poucos.

A formação profissional é longa, são anos de cursos nas universidades. Tivemos e temos dificuldades por não nos prepararmos em tempo hábil para a formação indispensável. O quadro não se transformou favoravelmente, antes pelo contrário.

Médicos e técnicos de profundos conhecimentos advertem que a pandemia não está com os dias contados. Estamos atravessando horas de apreensão e de estudos, com foco no que temos à frente. Não são boas as perspectivas.

A população menos informada considera estarmos avançando para o fim  de um processo que nos condenou a mais de 20 milhões de casos de Covid e mais de 570 mil óbitos. Que se cuide a comunidade, porque o réveillon pode ser de dor e trauma e o carnaval de cinzas e lágrimas.

A notícia é válida: uma em cada três mortes de Covid é de menores de 18 anos no Brasil, que já vitimou crianças de menos de 1 ano. A informação fere e machuca.

Até meados de maio, 948 crianças de 0 a 9 anos morreram de Covid no Brasil, segundo dados do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe). Nesse perfil de vítimas, o Brasil fica atrás apenas do Peru. A cada 1 milhão de crianças, 32 perderam a vida para a doença. No Peru, foram 41 por milhão. As vizinhas Argentina e Colômbia tiveram 12 e 13 mortes por milhão, respectivamente.

*Manoel Hygino - O autor é membro da Academia Mineira de Letras.


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